Emily VanCamp Brasil

Entrevista EXCLUSIVA com Amy Holden Jones para o Emily VanCamp Brasil

Entrevista EXCLUSIVA com Amy Holden Jones para o Emily VanCamp Brasil

Primeiramente gostaríamos de começar essa matéria agradecendo a Amy Holden Jones – escritora e roteirista de The Resident – por nos proporcionar essa matéria exclusiva para todos os fãs da Emily e de The Resident que acompanham Emily VanCamp Brasil.

Confiram a matéria completa a seguir:

P: Nosso interesse inicial em “The Resident” se deve ao retorno de Emily VanCamp para a televisão, mas rapidamente fomos surpreendidas – e ficamos viciadas – com toda a história e elenco.
Por quanto tempo você desenvolveu “The Resident”? Teve alguma participação durante a escolha de elenco?

Amy: “The Resident” foi um projeto vendido originalmente para o Showtime (canal de televisão à cabo nos EUA), o episódio piloto foi escrito em 2016 para eles. Eles adoraram, mas é difícil você emplacar um drama médico na TV à cabo. Por fim eles acabaram desistindo e o oferecemos a Fox praticamente no mesmo dia.
O episódio piloto foi filmado durante a Primavera de 2017, com a direção de Phillip Noyce. Foi encomendada como série no início de Maio e começamos a escrever o resto dos episódios, construindo sets de filmagens, estruturando uma equipe e a transformando de fato numa produção para a televisão.
Nos EUA, cada canal desenvolve uma grande quantidade de episódios pilotos, filma alguns deles, e escolhe um ou outro (para virar série). As chances de ir ao ar, mesmo que eles tenham comprado seu piloto, são de 1 em 20.

P: É levado em conta a performance do ator durante o desenvolvimento dos personagens?
Por exemplo, estamos habituados a ver a enfermeira Nic ser uma mulher forte – mas sabemos que Emily VanCamp é capaz de atuações bastante dramáticas, então isso tem alguma influência em possíveis características da personagem, ou até mesmo em história envolvendo a Nic Nevin?

Amy: Os protagonistas são desenvolvidos bem antes da escolha de elenco, você procura um ator semelhante ao seu personagem. Uma exceção seria escrever um papel para um ator com quem já tenha trabalhado anteriormente. Trabalhei com Tasso Feldman, que interpreta o Irvin, e escrevi o papel pensando nele.
O personagem da Emily mal aparecia no episódio piloto. Showtime e Fox entendiam que a série deveria ser sobre três homens: Conrad, Devon e Bell. Mas sempre tivemos a ideia de expandir o número de protagonistas, e eu tenho muito respeito pelo trabalho que as enfermeiras fazem.
Muitos perguntam porque não a fiz (Nic Nevin) uma médica… A resposta é que uma enfermeira faz praticamente as mesmas coisas que um residente, e merecem o mesmo respeito. Queria mostrar isso.
Emily foi escolhida com a ajuda de Phillip Noyce, diretor do episódio piloto, e que trabalhou com ela em Revenge. Quando ela começou a conversar conosco sobre aceitar o papel, disse a ela que se quisesse poderia tornar-se protagonista ao lado de Conrad. Prontamente fizemos isso, já no 2º episódio, e seu papel continuou a crescer constantemente. Ela é essencial para a série e sua personagem é a responsável pelo desenvolvimento da trama, envolvendo suspense, que acontece durante essa temporada.

P: “The Resident” não tem medo de mostrar toda a corrupção dentro do sistema de saúde (americano no caso) e as consequências disso… mas também tem momentos onde vemos essas pessoas honestas tentando fazer a coisa certa, não importa as circunstâncias.
Para você como escritora é mais prazeroso contar a história desses “heróis sem capas”, ou aprofundar em questões importantes que algumas pessoas não querem discutir?

Amy: Tenho interesse em ambos os aspectos da medicina. Meu pai era médico, e um homem complexo. Foi um grande clínico intensivista como o Conrad. Também era pesquisador sobre câncer, não era especializado em oncologia como a Dra. Hunter, mas gostava do objeto de pesquisa.
Ele me ensinou a palavra “Iatrogenia”, que é quando um médico induz a doença. Esse é um problema, ou condição, consequência do procedimento médico que fora realizado, e não necessariamente da doença (ou suspeita) que te levou a ir ao hospital. Meu pai disse para nunca realizar um procedimento ou exame que fosse facultativo, ele era um médico que sabia muito bem os erros que podiam acontecer em qualquer hospital.
Comecei a pesquisar na literatura médica, gênero de não ficção, quando transacionei do longa-metragem para a televisão, pelo best seller de Atul Gwande “Complications”. Logo descobri uma imensidão de livros escritos por médicos americanos que estavam cansados dos problemas do nosso sistema de saúde; devo ter lido a grande maioria deles até agora.
Já escrevi muitos shows sobre medicina, alguns foram pilotos que chegaram a ser gravados, mas não viraram séries, que é o comum. Tive outro show no canal ABC chamado “Black Box”, mas eu estava cansada de todos os shows que ignoram os problemas por trás da crise no sistema de saúde americano.
O número de pacientes mortos anualmente aqui relacionados a “erro médico”, infecções hospitalares, reação a medicamentos, erro cirúrgico, e tantos outros está em algo entre 250,000 e 450,000 por ano. E como maioria das imperícias médicas são acobertadas não entram nas estatísticas, então é difícil você ter uma visão precisa da situação. O marido da minha melhor amiga morreu depois de uma simples consulta por causa de uma simples imprudência médica, ele tinha 50 anos.
E quanto mais eu leio, mais eu descubro sobre dois mundos: os dedicados médicos desesperados para mudarem o sistema, como Conrad, e outros acumulando uma grande quantidade de dinheiro e determinados a garantir de que o “voto de silêncio” dentro da medicina nunca seja quebrado. Essa é a premissa da série. É uma história do tipo Davi versus Golias, com os bons médicos lutando para derrubar o Golias do sistema de saúde movido pelo dinheiro.
Os verdadeiros vilões não são os médicos incompetentes, é o sistema que deixa eles continuarem trabalhando, e mais do que isso, a influência do dinheiro e da ganância no sistema de saúde americano. Essa é a nossa realidade atualmente, e eu senti que era hora dos shows desse gênero (drama médico) começarem a falar sobre isso.
O problema em questão dá uma ambientação única, mas também factual. Há casos de imperícia médica nos melhores hospitais. O personagem do Dr. Bell, ou HODAD (“Mãos da Morte e Destruição” em tradução livre) é baseado num cirurgião que trabalhou no Johns Hopkins, Dra. Hunter é baseada numa oncologista.
Mas apesar desses problemas, eu sou apaixonada por nossos personagens. Drama vem de termos heróis com um objetivo. Você precisa saber o que eles anseiam. No caso deles, eles querem salvar as vidas de seus pacientes, mas sempre existirá um vilão: um médico ou diretor de hospital mal caráter, executivos do ramo farmacêutico etc. Nós mostramos eles.
O cenário é de um hospital que tem nele pessoas boas trabalhando e dispostas a darem o melhor para seus pacientes, mas não tem supervisão suficiente para os problemas que lá acontecem. Essa é a norma nos EUA. Nenhum órgão supervisiona o trabalho dos médicos. Nenhum.
E qualquer médico ou cirurgião que traga uma grande quantia (de dinheiro) para um hospital será protegido por ele (o hospital). Isso acontece várias e várias e várias vezes.

UAU! Ficamos muito felizes em trazer essa matéria até vocês, a Amy Holden é uma fantástica escritora e roteirista, super acessível com os fãs da trama. Esperamos que tenham gostado de descobrir um pouco mais sobre a história de The Resident.

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